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  • Fernando 5:53 pm on July 28, 2008 Permalink | Reply
    Tags: Instituto Nacional de Estatística, Power of Information Taskforce, United Kingdom, Wisdom of Crowds   

    O que fazer com a informação Pública? 

    Em Inglaterra está a decorrer uma experiência muito interessante. O Governo criou um programa online para que os seus cidadãos forneçam ideias sobre o que fazer com a informação (estatísticas, indíces, etc), que esté disponível e que habitualmente não é usada quase para nada. Nas palavras deles:

    Ever been frustrated that you can’t find out something that ought to be easy to find?  Ever been baffled by league tables or ‘performance indicators’?  Do you think that better use of public information could improve health, education, justice or society at large?

    The UK Government wants to hear your ideas for new products that could improve the way public information is communicated. The Power of Information Taskforce is running a competition on the Government’s behalf, and we have a £20,000 prize fund to develop the best ideas to the next level. You can see the type of thing we are are looking for here.

    Em duas semanas receberam mais de 200 sugestões e a atenção recebida tem sido tão elevada (de todo o mundo), que criaram um conta no Twitter para que todos possam ser informados dos acontecimentos.

    Um exemplo de uma ideia submetida (por Anthony Neil Barker)

    My idea is to make a website for the police to log all crime. This site would show the public where and when crimes had been committed. It would let the user show crimes by time too. So if I wanted to plan a journey I could check up to make sure I was not in more danger than usual. This would obviously help the police to target the right areas and this in turn would lower overall crime rates.

    O nosso Instituto Nacional de Estatística poderia fazer uma coisa semalhante. A quantidade de informação disponível é muito grande mas tem pouquissima visibilidade. De certeza que teriamos ideias interessantíssimas para pôr em prática.

    Este é mais um belo exemplo do que pode ser feito usando os novos meios tecnológicos à nossa disposição. No entanto o ponto chave não é esse: para o governo Inglês ter esta iniciativa, algo teve que mudar:

    1. Abertura – o entendimento que a informação é de facto poder. Mas só será revertida em benefício das pessoas se estiver facilmente acessível e se for compreendida por todos. A informação não é de nenhuma instituição governamental, é dos cidadãos.
    2. Saber ouvir – não basta disponibilizar os dados: são os cidadões que estão a sugerir o que fazer com eles e para as ideias que forem aprovadas, vão poder participar na construção da nova ferramenta
    3. Comunicação – Se o objectivo inicial era “apenas” ouvir os cidadãos, agora esta pequena parte do governo passou a fazer parte da conversa. O impacto foi tão grande que sentiram a necessidade de encontrar um meio (Twitter), para melhor comunicar a evolução do projecto.

    Se tivermos sorte, vai ser o futuro da governação. mais participativa, mais empenhada e as decisões tomadas através da nossa inteligência colectiva.

    Zemanta Pixie
     
  • Fernando 2:28 pm on June 16, 2008 Permalink | Reply
    Tags: , James Surowiecki, , , Wisdom of Crowds   

    Livros: The Wisdom of the Crowds 

    Mais um livro muito, muito interessante. Um conceito que teve uma exposição muito grande desde que várias empresas de Web 2.0 começaram a explorá-lo (sendo o Google o expoente máximo), mas nem sempre é intuitivo e óbvio. Uma leitura a não perder!

    The Wisdom of Crowds – Why the many are smarter then the few*

    James Surowiecki; Abacus

    Como é explicado no livro, a sabedoria das Multidões (Wisdom of the crowds, do título), nem sempre foi consensual (será que já é?). Vultos da cultura como Nietzsche e Henry David Thoreau têm frases e trabalhos em que afirmam que as massas nunca atingrão o brihantismo de alguns dos seus membros de eleição.

    A mensagem era clara: aposta sempre no solitário génio porque as multidões são muitas vezes estúpidas e perigosas. O que este livro afirma é que isso é profundamente errado.

    Os factos apresentados indicam que sob as circunstâncias certas os grupos podem ser extraordinariamente inteligentes, sem que os seus membros o sejam. Como é que isso é possível? Na verdade, se pedirmos a um grupo suficientemente alargado de pessoas independentes para fazer uma previsão ou estimar uma probabilidade , e depois aferir a média dessas estimativas, a resposta encontrada seria muito próxima do valor correcto, com os erros de cada um dos elementos a serem compensados por outros de sentido contrário.

    O livro aborda 3 tipos de problemas: (1) problemas cognitivos, (2) problemas de coordenação e (3) problemas de cooperação. A primeira parte do livro ilustra a teoria com muitos exemplos práticos e a segunda parte e preenchida com case studies, muitos deles relacionados com o meio empresarial, mercados e bolsa. Para ajudar a suportar a teoria, são usados vários estudos científicos na área da psicologia, estatística e até da teoria dos Jogos.

    Um dos aspectos que o livro aborda e me parece importante é na dificuldade que existe em reunir as condições necessárias para que a “Sabedoria das Multidões” se aplique. Deixa ainda muito claro que a “sabedoria das multidões” não é “gestão por comité”, que tantas vezes gera resultados desastrosos.

    Um livro muito interessante, que apresenta um conceito ainda mais interessante. A não perder!

    Numa das recentes entrevistas do Robert Scoble para a Fast Tv, a estrela foi um website que usa a sabedoria das multidões e os seus conceitos para prever eventos mundiais nas mais diversas áreas. Interessante.

    Zemanta Pixie
     
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