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  • Fernando 12:44 pm on February 3, 2009 Permalink | Reply
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    Simplicidade 

    Num mundo tão complexo como é o nosso, às vezes (muitas vezes!), escolhemos soluções complicadíssimas para resolver os nossos problemas.

    Basta pensar na nossa legislação e na forma como está escrita para perceber que nem sempre este é o melhor caminho. Ou melhor, na minha humilde opinião, nunca é o melhor caminho.

    Soluções complexas criam mais problemas do que os que resolvem, são burocráticas, caras e provocam frustração em quem tem que lidar com elas.

    Quando falamos de Lean Manufacturing, penso que este é o ponto mais importante: a simplicidade. Mesmo quando estamos em presença de um problema complicado, a solução poder ser uma série de coisas simples que funcionando em conjunto nos vão resolver o problema complexo.

    O que me recuso a fazer é a complicar as coisas só para parecer que sou mais importante, ou que a minha função é crucial para a organização. Acho que esta é uma das causas para a queda de muitas organizações: a partir de um certo ponto, as pessoas começam a complicar o que é simples só para justificarem a sua existência.

    O que a simplicidade tem de mágico, é que funciona em todos os aspectos das nossas vidas. Levar uma vinda “simples”, dando valor às coisas “simples”, é reconfortante para nós e fazemos as pessoas à nossa volta mais felizes também.

    Deixem-me dar um exemplo recente.

    Na minha fábrica, em todas os lotes produzidos é preciso tirar amostras do produto para ser analisado em laboratório. A técnica do laboratório estava particularmente irritada uma destas manhãs e chamou-me para dizer que as pessoas na produção não faziam nada direito, que se esqueciam de colocar todos os dados no saco da amostra e que era preciso reunir com todos e fazer uma comunicação oficial e mais uns não sei quantos castigos.

    Qual foi a solução que resolveu de vez o problema? Demorou cerca de 5 minutos: criei uma simples etiqueta com os campos a preencher e que é colada em todos os sacos das amostras.

    O que é que acontecia antes? As informações eram escritas nos sacos e por isso não havia qualquer “guia” que ajudasse a que as pessoas não se esquecessem de nenhuma informação. Uma “simples” etiqueta com os campos a preencher eliminou o problema, sem castigar ninguém nem chamar à atenção de ninguém. Estão a imginar qual seria a minha taxa de sucesso se tivesse insitido na solução mais complicada? se achasse que a culpa estava nas pessoas?

    Como Deming disse há tantos anos, de nada vale culpar as pessoas para os erros porque numa percentagem esmagadora dos casos, é o próprio sistema que está mal desenhado. Simples não é?

     
  • Fernando 2:35 pm on September 1, 2008 Permalink | Reply
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    Os 4 segredos para aprender a fracassar melhor. 

    “Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.” Samuel Beckett

    O meu joelho esquerdo ainda hoje tem marcas do tempo em que andei a aprender a andar de patins em linha. Caí tantas vezes que hoje não sei como é que continuava sempre.

    Enquanto somos crianças, o fracasso tem um significado diferente do que tem quando somos já adultos. Na verdade, enquanto crianças o fracasso não tem qualquer significado.

    Não seria óptimo se esse espírito de tentar até conseguirmos fazer o que queremos se mantivesse durante toda a vida? Porque razão não é assim?

    Algumas razões para que isso aconteça são:

    1. Somos muito duros connosco.

    Um fracasso não é o fim do mundo, mas a vergonha de falhar perante os amigos e a exigência que pomos na nossa vida às vezes faz com que pareça o fim do mundo. Queremos sempre o melhor emprego, o melhor carro, ser reconhecido como competente.

    2. A sociedade avalia-nos constantemente.

    Quando aprendemos a andar de patins ou de bicicleta, nem sequer sabemos o que é o fracasso. Apenas queremos aprender. Se vamos ter que cair 20 vezes até o fazermos bem, não é problema. É apenas o caminho para lá chegar. Mas quando vamos para a escola, começamos a ser avaliados e aprendemos que é mau falhar e correr riscos. A fobia ao fracasso começa a tomar forma.

    3. Pensamos muito nas consequências.

    O que não é necessariamente mau, mas impede-nos de fazer algumas coisas. Enquanto crianças, não medimos muito bem as consequências, vivemos quase por completo no presente. À medida que vamos crescendo vivemos mais no futuro, pesamos mais as consequências das nossas acções.

    Mas o que é que há de bom no fracasso? Ninguém no seu perfeito juízo gosta de falhar. Mas o ponto-chave é que todos falham, por isso o segredo é falhar melhor.

    As 4 razões que podem tornar o fracasso numa experiência positiva:

    1. Aprendemos com os erros

    Em vez de ver o fracasso como uma coisa negativa e como uma má experiência, podemos começar a olhar para ele como uma experiência de aprendizagem inestimável. A pergunta que devemos fazer em qualquer situação negativa é “O que é que eu posso aprender com isto?”
    Por mais negativa que uma situação possa parecer há sempre algo de positivo a aprender.

    2. Ganhamos experiência

    O melhor seria aprendermos com os erros e fracassos dos outros, mas nem sempre é possível, seja por casmurrice ou porque tem mesmo que ser. Mas muitas vezes, não há nada que substitua um fracasso para ganharmos experiência e para nos prepararmos para futuras situações semelhantes. Há coisas que simplesmente ninguém nos pode explicar como são até nos acontecerem. Alguma experiência alheia serve de alguma coisa no Amor, por exemplo?

    3. Ficamos mais fortes

    Quando fracassamos algumas vezes, acabámos por criar mecanismos de resistência. Percebemos que afinal não é o fim do mundo. O fracasso acaba por se transformar no anticlimax que são também as vitórias. Trabalhamos muito para elas e quando lá chegamos não é assim tão fantástico. A viagem para lá chegar é que é de facto grandiosa.
    Mesmo num fracasso a sensação de dever cumprido pode ser entusiasmante, porque corremos o risco, tivemos a coragem de tentar, em vez de ficar de braços cruzados e sentados no sofá a ver televisão.

    4. Aumentamos as nossas hipóteses de vencer

    Por causa dos 3 pontos anteriores, as nossas hipóteses de vencer aumentam, porque aprendemos, evoluímos e estamos mais confiantes. Se vencermos ficamos contentes, mas se fracassarmos vamos conseguir lidar bem com a situação. E porque já evoluímos, de fracasso em fracasso, a nossa probabilidade de ter sucesso é maior.

    Por isso há valorizar um bom fracasso. Ou alguém acha que para se chegar ao sucesso, não existem uns quantos fracassos pelo meio?

    O Nélson Évora em Atenas 2004 ficou no lugar número 23 e saltou 15,72m. Imeginem se ele não soubesse evoluir depois de fracassar.

     
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