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  • Fernando 10:36 pm on April 14, 2009 Permalink | Reply
    Tags: bit.ly, , , Jaiku, Microsoft, TechCrunch, , Venture capital   

    A Rede 2.0 e os modelos de negócio 

    Google and Twitter Logos
    Image by louisvolant via Flickr

    Na economia tradicional, nas empresas que fazem cadeiras, ou carros, ou numa empresa de limpezas, o modelo de negócio (a forma como se vai ganhar dinheiro), nasce mais ou menos ao mesmo tempo que a ideia do negócio em si. Aliás, se pensarmos bem no assunto, um negócio sem uma ideia de como se vai ganhar dinheiro, pareceria a qualquer pessoa da economia tradicional uma ideia suicida.

    A melhor imagem que me ocorre para ilustrar o início de uma empresa sem saber como é que a vamos rentabilizar, é alguém a saltar de um avião sem para-quedas: nós sabemos que vamos precisar de um para sobreviver, mas como a viagem é tão interessante e nos vai obrigar a ver coisas novas, avançamos mesmo assim.

    Eu acho esta atitude formidável. Revela audácia e confiança nas nossas capacidades. O que não se pode esquecer é que vai haver algumas pessoas que vão saltar do avião e não vão encontrar a tempo um para-quedas para evitar que se estatelem no chão.

    Isto tudo para chegar ao Twitter e à discussão que existe quase desde o seu início: o serviço é fantástico, está a explodir como poucos e mesmo assim ainda não há uma certeza de como é que vão ganhar dinheiro. E à medida que os custos vão aumentando a pergunta é cada vez mais pertinente. Não é à toa que a “fail whale” de vez em quando ainda aparece: o hardware necessário para suportar os milhões de utilizadores que aderem todos os dias ao serviço, é imenso. Até agora o “venture capital” tem suportado todas as despesas, mas um dia tem que aparecer uma modelo de negócio sustentável, ou alguma empresa maior (Google, Microsoft, Facebook), terá que comprar o serviço. Os “anjos” investidores terão que ver o retorno do seu investimento…

    Mesmo quando se concretiza esta última hipótese do serviço ser adquirido por uma grande empresa, nem sempre significa que o futuro seja brilhante. Ainda em Janeiro deste ano a própria Google anunciou uma série de serviços que iriam ser encerrados e alguns deles tinham sido startups compradas por eles como o DodgeBall ou o Jaiku.

    O Twitter até nem é uma situação grave neste aspecto. Tem tanto sucesso e já é tão incontornável que a probabilidade de deixar de existir é muito pequena. O Twitter acaba por ser uma espécie de Federico Macheda (esse miúdo do Manchester United), da web: entre milhares de jogadores de futebol que deixam tudo para trás há uma mão-cheia que ficam milionários e que chegam à glória. Os outros ficam uma vida toda a pensar no que poderiam ter sido.

    O blog de novas tecnologias TechCrunch tem uma secção a que chama DeadPool onde vai noticiando as startups que vêem o seu tempo de vida chegar ao fim por não conseguirem atrair utilizadores suficientes e, na grande maioria das vezes, por não conseguirem atrair investidores que permitam manter o serviço, pois grande parte delas não gera receitas que permita a sua sobrevivência.

    Mesmo que para o Twitter a questão do modelo de negócio não seja de facto relevante, na minha opinião é um erro que se pense que isto é verdade para qualquer startup. Uma startup com menos hype e com menos exposição mediática, ter uma forma de gerar receitas é muito importante, sob pena de ir parar à DeadPool.

    Adicionalmente as consequências da falência de uma startup podem ser complicadas para os seus utilizadores. O tempo que se dedica a alguns destes serviços e a importância que estes começam a ter no armazenamento de informação e meta-informação de todos nós torna o seu desaparecimento um caso bicudo. O exemplo mais recente desta situação são por exemplo os serviços de redução do tamanho de URL’s, tipo tinyurl, o bit.ly ou o tr.im. São serviços amplamente usados, em especial no Twitter. Imaginem que deixam de existir: todos esses links que são enviados e trocados no Twitter por todos os utilizadores deixarão de funcionar. Uma parte da riquesa do Twitter ficará perdida para sempre.

     
  • Fernando 9:32 pm on July 30, 2008 Permalink | Reply
    Tags: Apache Software Foundation, , Microsoft, ,   

    30 anos depois, continuamos cegos de Paixão 

    Walter Mossberg and Kara Swisher interview Ste...Image via Wikipedia

    Quando estamos apaixonados pela miúda dos nossos sonhos, bonita, atraente, estilo fantástico e a inveja dos nossos amigos, é muito fácil não darmos valor aos seus defeitos.
    Aliás, aquilo que os outros vêm como defeitos são apenas pequenas idiossincrasias com graça e que ajudam a compor o personagem. Os ataques de teimosia e o beicinho a acompanhar são muito sexy e o facto de só aceitar vestir roupa de marca não faz dela snobe, mas sim alguém cheia de estilo.
    É normal que assim seja. A paixão eclipsa qualquer rasgo de lucidez que possamos ter noutras circunstâncias. Mas entretanto a paixão termina e é substituída pelo amor duradouro, pela amizade, pelo gozo da companhia e pelo interesse dos gostos comuns.

    A Apple, é sem dúvida o caso de paixão mais longo que conheço no mundo tecnológico. Apesar de tantos anos depois as pessoas continuam cegas de paixão. Em parte porque continua de facto a ser a miúda mais gira do liceu, aquele que todos gostariam de namorar, mas a outra parte é devido à exclusividade da marca. Até há pouco tempo eram pouco mais de 5% os utilizadores em toda a America que tinham um computador da Apple. Mas ainda recentemente dados da Gartner revelam que já é o 3º vendedor de PC’s nos EUA, com 8,5% do mercado e em crescimento:

    Apple sales are seeing very strong growth in the USA, with a 31% increase year over year. At this rate, the company should easily take a lead ahead of Acer and reach 10% market share sometime this year.

    A pergunta é até quando a Apple estará imune às críticas ferozes que tanto têm atacado a Microsoft? Quando mudará a percepção que o público tem da empresa? Até quando a política fechada da Empresa vai ser tolerada pelos defensores do Open Source?

    A Microsoft por outro lado tem já um problema de percepção em relação a todas as suas acções. Por mais fantástico que seja o produto, uma quantidade incrível de pessoas vai destruí-lo por completo, muitas vezes sem o experimentar primeiro. E mesmo quando é impossível dizer mal, dizem que é uma ideia aproveitada ou roubada de outro sítio qualquer.

    No entanto, as notícias recentes de ambas as empresas mostram bem que a Apple não vai mudar nada enquanto não for obrigada a isso e a Microsoft está no caminho para mudar a sua imagem pública, para passar a ter uma apreciação justa dos seus produtos.

    No caso da Apple, o recente desastre de Relações Públicas relacionado com a saúde do Steve Jobs é só um exemplo. Imaginemos que era o Bill Gates a fazer isto:

    On Thursday afternoon, several hours after I’d gotten my final “Steve’s health is a private matter” – and much to my amazement – Mr. Jobs called me. “This is Steve Jobs,” he began. “You think I’m an arrogant [expletive] who thinks he’s above the law, and I think you’re a slime bucket who gets most of his facts wrong.” After that rather arresting opening, he went on to say that he would give me some details about his recent health problems, but only if I would agree to keep them off the record. I tried to argue him out of it, but he said he wouldn’t talk if I insisted on an on-the-record conversation. So I agreed.

    Todos diriam que finalmente o ‘Borg’ ele próprio tinha revelado a sua verdadeira face, arrogante e julgando-se dono do Mundo. A paixão cega-nos.

    Do outro lado, a rica, abastada e outrora arrogante Microsoft, mesmo ainda tendo a sua quota parte de maus produtos e de arrogância, está a fazer o caminho inverso.
    Nos últimos dias houveram 3 acontecimentos interessantes: a experiência “Mojave” , o anúncio do Investimento no Apache Software Foundation e o lançamento de Software Livre para académicos.

    Na experiência “Mojave”, puserem um conjunto de pessoas com opinião claramente negativa face ao Vista, a testarem um “novo” sistema operativo e no final foram unânimes a considerá-lo muito bom. Afinal era o Vista.

    Com o investimento na Apache Software Foundation, petrificaram os amantes de Linux e open source em geral. Financiados pelo próprio Borg. E com o lançamento das ferramentas livres para académicos, reforçam o empenho no software livre. Pode ser pouco, quando olhamos para o tamanho da Empresa, mas mostra uma vontade de mudar.

    Percepção vs realidade. Exclusivo vs Comum. Paixão vs Razão.
    Eu adoro a Apple, mas a Microsoft? Eu não a descartava tão depressa. E não sou o único.

    Zemanta Pixie
     
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