Lean Manufacturing: Por onde começar? 

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Que caminho seguir? Image by mlhradio via Flickr

Durante os anos em que trabalhei em multinacionais (Worthington Cylinders Portugal, Qimonda Portugal), estive inserido em culturas de empresariais em que a melhoria contínua era um dos aspectos mais importantes do dia-a-dia.

Não eram propriamente empresas Lean (a Qimonda tinha um grande projecto em curso nessa área quando as coisas começaram a correr mal), mas que seguiam vários conceitos Lean e estavam sem dúvida no caminho certo para se transformarem em empresas lean.

Quando integramos empresas em que os conceitos lean são ainda coisas estranhas para a maioria das pessoas a pergunta que surge é: “Por onde começar?”.

Pelo meu post anterior (O caixote do lixo), podem perceber qual foi a minha resposta a esta pergunta, mas tinha mesmo que ser assim? A minha opção foi a mais correcta?

Na verdade dependendo da realidade de cada empresa, vão haver várias respostas e todas estarão certas. O mais importante na minha opinião é iniciar a jornada rumo ao Lean. O caminho que seguimos depende acima de tudo do nosso ponto de partida. Empresas que estejam em estágios diferentes de organização vão com certeza tomar caminhos diferentes, mas o importante é chegarem ao mesmo destino.

A minha opção de começar pela arrumação e limpeza (o primeiro S de Seiri, Sorting, Segregar, Separar), é porque achei que o ponto em que a empresa se encontrava esse era o passo ideal para começar a jornada Lean.

Todos as pessoas acabam por deixar que a sua personalidade influencie as suas decisões e eu neste aspecto não fui diferente. Confesso que sou um pouco obcecado com a organização e com a simplicidade de processos, por isso a decisão de começar pela arrumação e limpeza foi muito clara para mim.

Outra das razões para começar por aqui, é que eu sabia que ia ter uma grande impacto a todos os níveis. Os resultados (produção, qualidade, vendas), até podiam ser iguais aos que existiam anteriormente, mas iriam “parecer” melhores porque a fabrica iria estar limpa e arrumada. A palavra “parecer”, apesar do pendor negativo que muitas vezes tem (ninguém gosta de dizer que julga algo ou alguém pelas aparências), é muito importante porque em todas as nossas actividades (pessoais ou profissionais), envolvem uma componente de venda. No nosso trabalho estamos constantemente a “vender” as nossas ideias. Onde é que compramos um carro? Num stand sujo e desarrumado ou num com o chão a brilhar?

O lugar comum (o cliché) que encontrei é que a Industria em que estamos inseridos é suja e por isso é aceitável uma dose generosa de sujidade. Eu acho que isto é um perfeito disparate e percebi rapidamente que isto poderia ser uma mais valia para mim e para a Empresa. Se isto era comum na Industria, se eu conseguisse dar a  volta a esta ideia dentro da nossa empresa, seria uma vantagem competitiva face à concorrência.

Depois de muitos meses de trabalho (apesar de eu achar que ainda podemos fazer melhor), a recompensa tem chegado pelo empenho e disponibilidade que as pessoas tem posto na manutenção da limpeza e arrumação (o mais difícil é manter o nível), e pela boca dos diversos clientes que nos têm visitado.

Numa dessas visitas um senhor Inglês, com o seu ar casual e amigável que contrasta coma ideia que temos do povo Inglês (é o que dá ver demasiados programas da BBC!), deu-me os parabéns ao mesmo tempo que dizia que de todas as fábricas que já tinha visitado na Europa (e já tinha visitado todas as da concorrência), a nossa era a mais limpa e arrumada que já tinha visitado. Fiquei muito orgulhoso!