Posts Mentioning RSS Toggle Comment Threads | Keyboard Shortcuts

  • Fernando 2:13 pm on August 4, 2008 Permalink | Reply
    Tags: Google Trends, , Póvoa de Varzim   

    Blogues para os nossos políticos, já! 

    No final de Junho este universo ainda minoritário dos Blogues era notícia nos principais jornais e noticiários do País. O Blog Povoa Online, escrito por um(s) anónimos, era obrigado pelo tribunal a ser encerrado, no seguimento duma queixa apresentada pelo presidente da câmara da Póvoa de Varzim.

    O Blog era um posto de denúncias, críticas e insultos ao queixoso, muitas delas relacionadas com corrupção. A discussão que gerou foi muito intensa com críticas ferozes ao encerramento do Blog e outras nem por isso, argumentando que a liberdade de expressão tem limites.

    A lei tem pouco que ver com este assunto assim como o que está certo ou o que está errado. Não interessa achar-se que este tipo de denúncias anónimas são cobardes e podem ser mentirosas. A Web é impiedosa: por mais ordens de tribunal que possam existir o conteúdo do Blog continuará disponível indefenidamente, podem consultar por exemplo no cache do Google as diversão versões do Blog ao longo do tempo (aqui fica um exemplo).

    Depois de uma coisa destas acontecer, o melhor que se tem a fazer é lutar com a única arma que existe para combater uma coisa destas: transparência.

    Perceber o fenómeno

    No mesmo dia em que o Blogue foi encerrado, o mesmo autor anónimo criou o Póvoa Offline, ainda hoje em actividade. O conteúdo é em tudo igual ao anterior, com uma única grande diferença: este novo Blog teve uma campanha publicitária nacional, em primetime (nos telejornais), em todos os orgãos de comunicação e numa quantidade pouco usual de Blogues nacionais.

    Uma busca no Google por povoaonline retorna 52800 resultados! O que para um Blogue pessoal deste género é um número anormalmente grande. Por exemplo um dos mais visitados Blogs nacionais, o Há vida em Markl do escritor Nuno Markl, retorna 491 000 resultados.

    O número de buscas no Google por Póvoa de Varzim, aumentou 50%  desde a publicação da notícia do encerramento do Blog, como podemos ver no Google Trends:

    Póva de Varzim search trends

    Claro que não temos uma prova de correlação entre a notícia e o aumento das buscas, mas se olharmos para o gráfico, a quantidade de buscas é estável durante o ano todo e em Junho o número aumenta muito rapidademente.

    O meu ponto é que neste momento o número de pessoas que tomaram conhecimento das acusações é muito maior do que há 6 meses. Uma percentagem dessas pessoas vai achar que o Blog é grosseiro mas outra percentagem vai achar que o que está escrito no Blog faz sentido. Ainda para mais com o contexto que nos dão todas as semanas: as autarquias são a principal fonte de corrupção do País.

    O que o presidente da câmara achava ser a solução para o seu problema, acabou por ajudar a torná-lo ainda maior.

    O que fazer?

    O que aconteceu ao presidente da Câmara de Póvoa de Varzim pode acontecer a qualquer pessoa (outro exemplo são as acuzações de plágio ao Miguel Sousa Tavares), e nesse aspecto as figuras públicas estão mais expostos.

    A única saída é participarem na conversa. O presidente da câmara teve a oportunidade única de ler o que alguém pensava de si e da sua gestão. Alguém motivado ao ponto de investir tempo para escrever um Blogue. Processá-lo e obrigar ao seu encerramento, só fez redobrar essa motivação.

    A opção poderia ter sido outra. Sabendo da má imagem que os autarcas de longa duração (já é presidente há 16 anos), têm em Portugal, poderia ter encarado o Blogue como a face visível das críticas da sua população. Poderia ter iniciado um Blogue no sítio da câmara, na qualidade de seu presidente, onde com honestidade falaria das questões mais sensíveis e explicaria o porquê das suas decisões. Quem sabe até não respondia directamente a alguns dos posts do Póvoa Online. Poderiam continuar a haver críticas, mas pelo menos as pessoas teriam acesso a ambas as versões da história e o Presidento poderia assim fornecer os factos que achava serem os correctos.

    Num futuro próximo vai ser absolutamente impensável que os dirigentes eleitos pelo povo, não tenham o seu Blogue (ou que quiserem chamar), onde vão “conversando”, com os seus eleitores. Não um monólogo como acontece nos comícios, em inaugurações ou nas Newsletters oficiais, mas sim um diálogo onde expliquem as decisões tomadas e ouçam os comentários, críticas e sugestões que as pessoas possam ter.

    Neste diálogo a honestidade é a única forma de estar possível. Quantos dos nosso autarcas estariam prontos para o fazer?

    Zemanta Pixie
     
    • povoaoffline 6:59 pm on August 23, 2008 Permalink | Reply

      O Presidente da Câmara criar um blogue? Impensável. O até há pouco tempo líder da oposição tem o seu, Ca-70, e era quase semanalmente enxovalhado em jornais locais.

      De resto, esta parte do teu texto não está correcta:

      “No final de Junho este universo ainda minoritário dos Blogues era notícia nos principais jornais e noticiários do País. O Blog Povoa Online, escrito por um(s) anónimos, era obrigado pelo tribunal a ser encerrado, no seguimento duma queixa apresentada pelo presidente da câmara da Póvoa de Varzim.”

      Percebes porquê. Não houve qualquer “queixa”.

  • Fernando 5:53 pm on July 28, 2008 Permalink | Reply
    Tags: Instituto Nacional de Estatística, Power of Information Taskforce, United Kingdom,   

    O que fazer com a informação Pública? 

    Em Inglaterra está a decorrer uma experiência muito interessante. O Governo criou um programa online para que os seus cidadãos forneçam ideias sobre o que fazer com a informação (estatísticas, indíces, etc), que esté disponível e que habitualmente não é usada quase para nada. Nas palavras deles:

    Ever been frustrated that you can’t find out something that ought to be easy to find?  Ever been baffled by league tables or ‘performance indicators’?  Do you think that better use of public information could improve health, education, justice or society at large?

    The UK Government wants to hear your ideas for new products that could improve the way public information is communicated. The Power of Information Taskforce is running a competition on the Government’s behalf, and we have a £20,000 prize fund to develop the best ideas to the next level. You can see the type of thing we are are looking for here.

    Em duas semanas receberam mais de 200 sugestões e a atenção recebida tem sido tão elevada (de todo o mundo), que criaram um conta no Twitter para que todos possam ser informados dos acontecimentos.

    Um exemplo de uma ideia submetida (por Anthony Neil Barker)

    My idea is to make a website for the police to log all crime. This site would show the public where and when crimes had been committed. It would let the user show crimes by time too. So if I wanted to plan a journey I could check up to make sure I was not in more danger than usual. This would obviously help the police to target the right areas and this in turn would lower overall crime rates.

    O nosso Instituto Nacional de Estatística poderia fazer uma coisa semalhante. A quantidade de informação disponível é muito grande mas tem pouquissima visibilidade. De certeza que teriamos ideias interessantíssimas para pôr em prática.

    Este é mais um belo exemplo do que pode ser feito usando os novos meios tecnológicos à nossa disposição. No entanto o ponto chave não é esse: para o governo Inglês ter esta iniciativa, algo teve que mudar:

    1. Abertura – o entendimento que a informação é de facto poder. Mas só será revertida em benefício das pessoas se estiver facilmente acessível e se for compreendida por todos. A informação não é de nenhuma instituição governamental, é dos cidadãos.
    2. Saber ouvir – não basta disponibilizar os dados: são os cidadões que estão a sugerir o que fazer com eles e para as ideias que forem aprovadas, vão poder participar na construção da nova ferramenta
    3. Comunicação – Se o objectivo inicial era “apenas” ouvir os cidadãos, agora esta pequena parte do governo passou a fazer parte da conversa. O impacto foi tão grande que sentiram a necessidade de encontrar um meio (Twitter), para melhor comunicar a evolução do projecto.

    Se tivermos sorte, vai ser o futuro da governação. mais participativa, mais empenhada e as decisões tomadas através da nossa inteligência colectiva.

    Zemanta Pixie
     
c
compose new post
j
next post/next comment
k
previous post/previous comment
r
reply
e
edit
o
show/hide comments
t
go to top
l
go to login
h
show/hide help
esc
cancel