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Guns’n'Roses - Chinese democracy



Há 15 anos que esperava por este momento.

Na altura em que a música tem um impacto em nós como nunca volta a ter, descobri uma banda chamada Guns’n'Roses. Aquele álbum de estreia com um apetite pela destruição do convencional e das barreiras numa vida cinzenta e opressiva que marcavam os anos noventa, transformou-se num grito de revolta silencioso de uma geração.

Violento, revoltado, poético a tocar no patético, aquele disco era tudo o que um adolescente precisava para se fechar horas a fio a ouvir e a ler a capa do vinil. Música atrás de música até as saber todas sem falhas.

Depois da partida de todos os elementos da banda à excepção do Axl Rose, ficou penosamente adiado o lançamento do disco que se seguiria a Spaghetti Incident, o durante 15 anos mítico Chinese Democracy, que viu agora a luz do dia.

Como é que um disco sobrevive às expectativas de 15 anos de espera? Como sobrevive à comparação com a vida anterior dos Guns’n'Roses?

A resposta é que não sobrevive. Morre quando descobrimos que os Guns’n'Roses já não existem, e renasce quando ouvimos a obra de arte épica, exagerada, operática, esquizofrénica que Axl Rose construiu nos últimos 15 anos, contra tudo e contra todos.

As 14 músicas que compõem o disco são um portento de criatividade e força, mantendo a agressividade e a poesia quase patética dos velhos Guns’n'Roses, mas com todo um novo universo de sons a mostrar que houve uma evolução e que já não estamos nos anos 90, nem somos um adolescente de 15 anos fechado no quarto a ouvir música nem o AXl é um miúdo mimado de 25 anos. É um miúdo mimado de 46 anos, mas genial e o último duma geração de músicos como já não se fazem.

Este é talvez o último CD da história. CD como conjunto de músicas que juntas fazem mais sentido. CD como objecto que é preciso ter, não basta sacar o album da Net. É preciso ver as imagens, ler os textos, ler os agradecimentos, nada pode escapar.

Cada vez que ouço o album descubro coisas novas. E ouvi mesmo o album! Não é ouvir enquanto faço outra coisa qualquer, nada disso. Ouvir um disco e ouvir apenas o disco, sem nada a intrometer-se entre nós e a música.

Há músicas fabulosas, outras muito boas e outras apenas boas. Deixem-me falar das que acho fabulosas, mas não acreditem na minha opinião. Ouçam e descubram vocês mesmo esta pequena maravilha que demorou 15 anos a ver a luz do dia.

as fabulosas

Better - Começa com uma melodia e um falsete irresistível de Axl e um refrão em que a sua voz mais parece a de um menino de coro. Mas a meio muda de face e as guitarras pesadas fazem desta uma música esquizofrénica e bela.

There was a time - um épico com mais de 6 minutos, que começa com uma drum machine e uma guitarra em fundo que vai crescendo até dominar a música por completo. A voz de Axl muda entre a raiva e a redenção de quem sabe que não há forma de voltar atrás no tempo. O solo de guitarra é portentoso e até ficamos com complexos de culpa por pensarmos que se calhar o Slash não teria feito melhor.

Catcher in the Rye - um clássico instantâneo. A guitarra daqueles últimos 2 minutos e meio da música são do melhor que já ouvi.

Madagascar - a voz de Axl aparece irreconhecível no início, com um discurso de Martin Luther King pelo meio e camada após camada de guitarras, teclados e sab-se lá mais o quê.  Uma maravilha.

Prostitute - Começa mais uma vez com uma Drum Machine e piano e cresce com uma guitarra em fundo, até dominar a música num solo sónico e violento e finalizar de forma suave e etérea.

PS. Estou a preparar um artigo sobre o diagrama de pareto, para servir de complemento aos já publicados sobre o Diagrama de Ishikawa, porque ambas as ferramentas se completam muito bem.

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Os ‘x’ melhores albuns dos últimos ‘y’ anos ou Que saudades da Tubitek e do Rui Kid



Eu tinha 15 anos e pouco dinheiro para comprar discos. Comprava-os todos na Tubitek, ali na praça D. João I no Porto, aconselhado pelo empregado mais cool que alguma vez existirá numa loja de discos: Rui Kid, futuro vocalista duma banda fantástica banda chamada The Fire, que se prepara para lançar um novo disco. Passem no mySpace deles para ouvir a música e conhecer a Banda.

Dizia eu que o dinheiro não era muito e por isso os discos tinham que ser bem escolhidos (ou deviam, porque comprei alguns que mais valia ter estado sob o efeito de alucinogéneos, para ter uma boa desculpa…). Um dos escolhidos foi o “Appetite for Destruction” dos Guns’n'Roses. O vinil que comprei vinha com a capa original, que depois viria a ser censurada e substituída pela clássica cruz com as 5 caveiras a representar cada um dos membros originais dos Guns.

Devo ter ouvido este disco milhares de vezes, ao ponto de saber todas as letras de trás para a frente. Naquela altura ouvia discos. Deitava-me no chão do meu quarto, a ler a sleeve do disco e a ouvir uma e outra vez todas as músicas.

Porque é que me lembrei disto hoje? Não faço ideia, mas acordei a cantar o “Welcome to the Jungle” e por isso estive todo o dia a ouvir o disco novamente.

Uma curiosidade palerma: no último filme da série Dirty Harry do Clint Eastwood (The Dead Pool), a história gira em torno de um psicopata que tem como alvos uma série de celebridades. Um deles é Johny Squares, um músico rock que canta “Welcome to the Jungle” logo no ínicio do filme. Este cantor é interpretado por um actor chamado James Carrey, nada mais nada menos que Jim Carrey, o futuro The Mask e Ace Ventura, ainda no início da carreira.

Nota: o ‘x’ e o ‘y’ do título é porque ainda não sei em quantos álbuns vou falar e de que período de tempo. Assim ficam variáveis, para verem que a matemática não é assim tão complicada.

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