
“To become truly great, one has to stand with people, not above them.” Charles de Montesquieu
Uma das coisas que menos gosto de fazer é ter que aturar pessoas que acham que sabem tudo e que se levam demasiado a sério. A minha Mulher diz que há pessoas que sofrem de professorite aguda. É uma doença que ataca algumas pessoas que acham que têm tudo a ensinar aos outros, e nada a aprender.
Sofrer de professorite aguda é a melhor maneira de não aprender nada com os nossos fracassos. Fica-se a pensar que a culpa é sempre exterior a nós.
Por isso admiro muito as pessoas que depois de chegarem ao topo do mundo, continuam a pedir por feedback e a olhar para o que os outros fazem para aprender e evoluir ainda mais.
Há pouco via uma entrevista do Steven Spielberg em que ele dizia que as primeiras duas semanas de cada filme que faz, são passadas a pôr toda a equipa à vontade e quase que a obrigar que todos participem com ideias e sugestões. Por causa do incrível sucesso que ele alcançou, as pessoas simplesmente não lhe dão palpites, acham que ele já sabe tudo. E ele percebe que apesar do sucesso, ainda tem muito que aprender e evoluir.
Jerry Seinfeld
Se há pessoa no mundo do espectáculo que soube sair na altura certa, foi o Jerry Seinfeld. Depois de 10 anos com o programa mais visto da TV americana, saiu quando achou que não ia conseguir continuar a escrever com a mesma qualidade que tinha até então. Podem dizer que já tinha o dinheiro suficiente para não se chatear mais, mas quantos é que não se arrastam até alguém os empurrar para a obscuridade?
Depois de terminada a série de TV, Seinfeld tenta regressar ao circuito de Stand Up, onde tinha crescido artisticamente. Este Jerry Seinfeld – Comedian, retrata esse período.
O filme já tem cerca de 5 anos (é de 2002), e não é muito fácil de arranjar – na Amazon UK só tem uma versão da Região 1, mas hoje em dia quase todos os DVD’s são multi-região. O torrent também se arranja, mas demora algum tempo a terminar.
O filma mostra o período em que o Seinfeld volta à estrada, aos pequenos clubes, para preparar o seu regresso em palcos maiores (chegou a substituir a Celine Dion em Las Vegas, para plateias de mais de 10 mil pessoas).
Vemos o processo de escrita e de teste ao novo material. Vemos o Seinfeld a actuar uma e outra vez, sem desistir, mesmo quando alguns dos espectáculos não correm tão bem. O que é fantástico para quem tem a fortuna pessoal que o homem tem. Numa cena vemos ele a tentar encontrar um Clube ainda aberto e diz “Podia estar em Bora Bora, neste momento!”. Mas não desiste.
Um dos aspectos mais curiosos e educadores do filme (e que me motivou a escrever este texto), é que o vemos sempre a olhar e a ouvir os outros comediantes que encontra nos clubes, para aprender, ver o que resulta, que novidades existem, que técnicas estão mais actuais. E apesar de não lhe agradar muito, reconhece que nem sempre as actuações lhe correm bem.
Para uma estrela do tamanho do Jerry Seinfeld, é uma lição de humildade notável.