A Rede 2.0 e os modelos de negócio

Google and Twitter Logos
Image by louisvolant via Flickr

Na economia tradicional, nas empresas que fazem cadeiras, ou carros, ou numa empresa de limpezas, o modelo de negócio (a forma como se vai ganhar dinheiro), nasce mais ou menos ao mesmo tempo que a ideia do negócio em si. Aliás, se pensarmos bem no assunto, um negócio sem uma ideia de como se vai ganhar dinheiro, pareceria a qualquer pessoa da economia tradicional uma ideia suicida.

A melhor imagem que me ocorre para ilustrar o início de uma empresa sem saber como é que a vamos rentabilizar, é alguém a saltar de um avião sem para-quedas: nós sabemos que vamos precisar de um para sobreviver, mas como a viagem é tão interessante e nos vai obrigar a ver coisas novas, avançamos mesmo assim.

Eu acho esta atitude formidável. Revela audácia e confiança nas nossas capacidades. O que não se pode esquecer é que vai haver algumas pessoas que vão saltar do avião e não vão encontrar a tempo um para-quedas para evitar que se estatelem no chão.

Isto tudo para chegar ao Twitter e à discussão que existe quase desde o seu início: o serviço é fantástico, está a explodir como poucos e mesmo assim ainda não há uma certeza de como é que vão ganhar dinheiro. E à medida que os custos vão aumentando a pergunta é cada vez mais pertinente. Não é à toa que a “fail whale” de vez em quando ainda aparece: o hardware necessário para suportar os milhões de utilizadores que aderem todos os dias ao serviço, é imenso. Até agora o “venture capital” tem suportado todas as despesas, mas um dia tem que aparecer uma modelo de negócio sustentável, ou alguma empresa maior (Google, Microsoft, Facebook), terá que comprar o serviço. Os “anjos” investidores terão que ver o retorno do seu investimento…

Mesmo quando se concretiza esta última hipótese do serviço ser adquirido por uma grande empresa, nem sempre significa que o futuro seja brilhante. Ainda em Janeiro deste ano a própria Google anunciou uma série de serviços que iriam ser encerrados e alguns deles tinham sido startups compradas por eles como o DodgeBall ou o Jaiku.

O Twitter até nem é uma situação grave neste aspecto. Tem tanto sucesso e já é tão incontornável que a probabilidade de deixar de existir é muito pequena. O Twitter acaba por ser uma espécie de Federico Macheda (esse miúdo do Manchester United), da web: entre milhares de jogadores de futebol que deixam tudo para trás há uma mão-cheia que ficam milionários e que chegam à glória. Os outros ficam uma vida toda a pensar no que poderiam ter sido.

O blog de novas tecnologias TechCrunch tem uma secção a que chama DeadPool onde vai noticiando as startups que vêem o seu tempo de vida chegar ao fim por não conseguirem atrair utilizadores suficientes e, na grande maioria das vezes, por não conseguirem atrair investidores que permitam manter o serviço, pois grande parte delas não gera receitas que permita a sua sobrevivência.

Mesmo que para o Twitter a questão do modelo de negócio não seja de facto relevante, na minha opinião é um erro que se pense que isto é verdade para qualquer startup. Uma startup com menos hype e com menos exposição mediática, ter uma forma de gerar receitas é muito importante, sob pena de ir parar à DeadPool.

Adicionalmente as consequências da falência de uma startup podem ser complicadas para os seus utilizadores. O tempo que se dedica a alguns destes serviços e a importância que estes começam a ter no armazenamento de informação e meta-informação de todos nós torna o seu desaparecimento um caso bicudo. O exemplo mais recente desta situação são por exemplo os serviços de redução do tamanho de URL’s, tipo tinyurl, o bit.ly ou o tr.im. São serviços amplamente usados, em especial no Twitter. Imaginem que deixam de existir: todos esses links que são enviados e trocados no Twitter por todos os utilizadores deixarão de funcionar. Uma parte da riquesa do Twitter ficará perdida para sempre.