Porque é que a Web me torna mais inteligente

Leio com curiosidade todas as grandes teorias sobre a era da Internet e de que forma tem alterado os nossos comportamentos.  Descobri através do Blog do Celso que a Clara Ferreira Alves na sua coluna Pluma Caprichosa, onde costuma dar a sua opinião sobre mais ou menos tudo, pega no já lendário artigo de Nicolas Carr e escreve sobre a actual overdose de informação fragmentada que recebemos todos os dias.

E o texto, como não podia deixar de ser é para dizer que agora é muito pior do que já foi. É curioso como é díficil olhar para o mundo e perceber que ele muda. Que amanhã não vai ser igual ao que é agora.

Mas ao mesmo tempo é muito fácil lembrarmo-nos apenas das coisas boas do antigamente. Como se conseguia ler um livro sem distracções, um com ideias complexas e profundas, e havia tempo e disposição para isso. É fácil esquecer que só tínhamos acesso apenas a umas mãos-cheias de livros, só ouviamos e viamos o que 2 ou 3 fontes (Jornais, RDP, RTP) nos davam, não tendo quase nenhuma palavra a dizer sobre o assunto.

Agora, posso dar a minha opinião sobre tudo, como a Clara Ferreira Alves faz mas que aparentemente não gosta que os outros também o possam fazer, e posso seleccionar o que quero ler, ver e ouvir.

É fácil esquecer que o e-mail e os Blogs vieram dar nova vida a uma coisa que tinha caído em desuso com o Telefone, Rádio e Televisão: a escrita. Nunca como agora se escreveram tantas cartas. São cartas escritas em formato electrónico, mas de cada vez que enviamos um e-mail a alguém, é uma carta que estamos a escrever. De cada vez que alguém inicia um Blog, está a planear escrever e partilhar as suas ideias com o Mundo. Podem ser idiotas e impensadas, mas no meio de tantos milhões de Blogs, há sempre uns quantos que nos levam a sítios desconhecidos e interessantes.

Eu leio mais livros agora do que nunca, apesar de viver o dia imerso na rede. Livros que descubro porque navego na web, porque converso na web, livros que de outra forma não iria descobrir. Mas de facto há diferenças entre ler um livro e ler a Web. Ao contrário do que diz a Clara Ferreira Alves e o Nicholas Carr é muito mais fácil ler um livro, por muito complexo e extenso que seja o seu conteúdo. Alguém (o autor), uniu os pontos todos ao longo do livro, expôs factos, contou histórias, revelou detalhes e foi tirando conclusões, foi revelando segredos. Todo esse trabalho foi feito e posso-me concentrar em receber a informação, relacioná-la com o que já conheço e chego rapidamente às minhas próprias conclusões.

Na Web não é assim, a informação chega-me fragamentada, no meio do turbilhão. Sou eu que tenho que a filtrar (o que é importante?), adicionar um fio conductor por entre artigos, textos, imagens e Blogs, todos eles de diferentes autores e de diferentes contextos, e pensar nas implicações e conclusões que posso tirar dessas “conversas”, desses diálogos com multiplas vozes. O que é mais desafiante? Ler o livro ou “ler” a Web? O que nos obriga a pensar mais: um livro ou a Web? Na minha opinião não há comparação possível. A Web não me está a fazer mais estúpido, pelo contrário mostra-me o mundo e obriga-me a crescer intelectualmente, e faz isso mesmo que eu não quisesse.

Zemanta Pixie