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30 anos depois, continuamos cegos de Paixão



Walter Mossberg and Kara Swisher interview Ste...Image via Wikipedia

Quando estamos apaixonados pela miúda dos nossos sonhos, bonita, atraente, estilo fantástico e a inveja dos nossos amigos, é muito fácil não darmos valor aos seus defeitos.
Aliás, aquilo que os outros vêm como defeitos são apenas pequenas idiossincrasias com graça e que ajudam a compor o personagem. Os ataques de teimosia e o beicinho a acompanhar são muito sexy e o facto de só aceitar vestir roupa de marca não faz dela snobe, mas sim alguém cheia de estilo.
É normal que assim seja. A paixão eclipsa qualquer rasgo de lucidez que possamos ter noutras circunstâncias. Mas entretanto a paixão termina e é substituída pelo amor duradouro, pela amizade, pelo gozo da companhia e pelo interesse dos gostos comuns.

A Apple, é sem dúvida o caso de paixão mais longo que conheço no mundo tecnológico. Apesar de tantos anos depois as pessoas continuam cegas de paixão. Em parte porque continua de facto a ser a miúda mais gira do liceu, aquele que todos gostariam de namorar, mas a outra parte é devido à exclusividade da marca. Até há pouco tempo eram pouco mais de 5% os utilizadores em toda a America que tinham um computador da Apple. Mas ainda recentemente dados da Gartner revelam que já é o 3º vendedor de PC’s nos EUA, com 8,5% do mercado e em crescimento:

Apple sales are seeing very strong growth in the USA, with a 31% increase year over year. At this rate, the company should easily take a lead ahead of Acer and reach 10% market share sometime this year.

A pergunta é até quando a Apple estará imune às críticas ferozes que tanto têm atacado a Microsoft? Quando mudará a percepção que o público tem da empresa? Até quando a política fechada da Empresa vai ser tolerada pelos defensores do Open Source?

A Microsoft por outro lado tem já um problema de percepção em relação a todas as suas acções. Por mais fantástico que seja o produto, uma quantidade incrível de pessoas vai destruí-lo por completo, muitas vezes sem o experimentar primeiro. E mesmo quando é impossível dizer mal, dizem que é uma ideia aproveitada ou roubada de outro sítio qualquer.

No entanto, as notícias recentes de ambas as empresas mostram bem que a Apple não vai mudar nada enquanto não for obrigada a isso e a Microsoft está no caminho para mudar a sua imagem pública, para passar a ter uma apreciação justa dos seus produtos.

No caso da Apple, o recente desastre de Relações Públicas relacionado com a saúde do Steve Jobs é só um exemplo. Imaginemos que era o Bill Gates a fazer isto:

On Thursday afternoon, several hours after I’d gotten my final “Steve’s health is a private matter” - and much to my amazement - Mr. Jobs called me. “This is Steve Jobs,” he began. “You think I’m an arrogant [expletive] who thinks he’s above the law, and I think you’re a slime bucket who gets most of his facts wrong.” After that rather arresting opening, he went on to say that he would give me some details about his recent health problems, but only if I would agree to keep them off the record. I tried to argue him out of it, but he said he wouldn’t talk if I insisted on an on-the-record conversation. So I agreed.

Todos diriam que finalmente o ‘Borg’ ele próprio tinha revelado a sua verdadeira face, arrogante e julgando-se dono do Mundo. A paixão cega-nos.

Do outro lado, a rica, abastada e outrora arrogante Microsoft, mesmo ainda tendo a sua quota parte de maus produtos e de arrogância, está a fazer o caminho inverso.
Nos últimos dias houveram 3 acontecimentos interessantes: a experiência “Mojave” , o anúncio do Investimento no Apache Software Foundation e o lançamento de Software Livre para académicos.

Na experiência “Mojave”, puserem um conjunto de pessoas com opinião claramente negativa face ao Vista, a testarem um “novo” sistema operativo e no final foram unânimes a considerá-lo muito bom. Afinal era o Vista.

Com o investimento na Apache Software Foundation, petrificaram os amantes de Linux e open source em geral. Financiados pelo próprio Borg. E com o lançamento das ferramentas livres para académicos, reforçam o empenho no software livre. Pode ser pouco, quando olhamos para o tamanho da Empresa, mas mostra uma vontade de mudar.

Percepção vs realidade. Exclusivo vs Comum. Paixão vs Razão.
Eu adoro a Apple, mas a Microsoft? Eu não a descartava tão depressa. E não sou o único.

Zemanta Pixie

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Porque é que a Web me torna mais inteligente



Leio com curiosidade todas as grandes teorias sobre a era da Internet e de que forma tem alterado os nossos comportamentos.  Descobri através do Blog do Celso que a Clara Ferreira Alves na sua coluna Pluma Caprichosa, onde costuma dar a sua opinião sobre mais ou menos tudo, pega no já lendário artigo de Nicolas Carr e escreve sobre a actual overdose de informação fragmentada que recebemos todos os dias.

E o texto, como não podia deixar de ser é para dizer que agora é muito pior do que já foi. É curioso como é díficil olhar para o mundo e perceber que ele muda. Que amanhã não vai ser igual ao que é agora.

Mas ao mesmo tempo é muito fácil lembrarmo-nos apenas das coisas boas do antigamente. Como se conseguia ler um livro sem distracções, um com ideias complexas e profundas, e havia tempo e disposição para isso. É fácil esquecer que só tínhamos acesso apenas a umas mãos-cheias de livros, só ouviamos e viamos o que 2 ou 3 fontes (Jornais, RDP, RTP) nos davam, não tendo quase nenhuma palavra a dizer sobre o assunto.

Agora, posso dar a minha opinião sobre tudo, como a Clara Ferreira Alves faz mas que aparentemente não gosta que os outros também o possam fazer, e posso seleccionar o que quero ler, ver e ouvir.

É fácil esquecer que o e-mail e os Blogs vieram dar nova vida a uma coisa que tinha caído em desuso com o Telefone, Rádio e Televisão: a escrita. Nunca como agora se escreveram tantas cartas. São cartas escritas em formato electrónico, mas de cada vez que enviamos um e-mail a alguém, é uma carta que estamos a escrever. De cada vez que alguém inicia um Blog, está a planear escrever e partilhar as suas ideias com o Mundo. Podem ser idiotas e impensadas, mas no meio de tantos milhões de Blogs, há sempre uns quantos que nos levam a sítios desconhecidos e interessantes.

Eu leio mais livros agora do que nunca, apesar de viver o dia imerso na rede. Livros que descubro porque navego na web, porque converso na web, livros que de outra forma não iria descobrir. Mas de facto há diferenças entre ler um livro e ler a Web. Ao contrário do que diz a Clara Ferreira Alves e o Nicholas Carr é muito mais fácil ler um livro, por muito complexo e extenso que seja o seu conteúdo. Alguém (o autor), uniu os pontos todos ao longo do livro, expôs factos, contou histórias, revelou detalhes e foi tirando conclusões, foi revelando segredos. Todo esse trabalho foi feito e posso-me concentrar em receber a informação, relacioná-la com o que já conheço e chego rapidamente às minhas próprias conclusões.

Na Web não é assim, a informação chega-me fragamentada, no meio do turbilhão. Sou eu que tenho que a filtrar (o que é importante?), adicionar um fio conductor por entre artigos, textos, imagens e Blogs, todos eles de diferentes autores e de diferentes contextos, e pensar nas implicações e conclusões que posso tirar dessas “conversas”, desses diálogos com multiplas vozes. O que é mais desafiante? Ler o livro ou “ler” a Web? O que nos obriga a pensar mais: um livro ou a Web? Na minha opinião não há comparação possível. A Web não me está a fazer mais estúpido, pelo contrário mostra-me o mundo e obriga-me a crescer intelectualmente, e faz isso mesmo que eu não quisesse.

Zemanta Pixie

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